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Halloween ou Reforma Protestante?

reforma-protestanteDia das Bruxas parece querer ofuscar os 498 anos da reforma iniciada por Martinho Lutero

O dia 31 de outubro de 2015 marca os 498 anos da Reforma Protestante. Nesta data, Martinho Lutero divulgou suas 95 teses contra o papa e a Igreja Católica.

Pregados na porta da Catedral da cidade Wittenberg, Alemanha, os argumentos do ex-monge Lutero não pediam que a Igreja se dividisse, mas que passasse por uma reforma teológica, abandonando práticas que contrariavam as Escrituras Sagradas. Rejeitadas pelo Vaticano, foram o início do que seria mais tarde a Igreja Luterana.

Entre as propostas de Lutero estava a de traduzir a Bíblia para que todos pudessem conhecer a Palavra de Deus. Até então isso era privilégio do clero. Foi uma verdadeira revolução no cristianismo. Lutero baseava-se em “5 pilares” que são usados até hoje para definir a fé protestante: “Somente a Escritura, somente a Fé, somente a Graça, somente Cristo e Glória somente a Deus”.

Os ideais se espalharam pela Europa e encontraram eco em vários movimentos similares. Essa é a raiz das igrejas evangélicas que se espalham por todo o mundo até hoje. Embora pouco divulgada pelas igrejas no Brasil, o fato é que a Reforma ajudou a mudar a história.

Há cerca de 20 anos, o 31 de outubro passou a ser cada vez mais o Halloween ou Dia das Bruxas para os brasileiros. Tradição importada dos Estados Unidos, parece ter virado uma espécie de Carnaval fora de época. Muitas escolas já ensinam sobre isso no currículo e o comércio acha uma oportunidade de lucrar com mais uma ‘data festiva’.

A exemplo do que acontece com as festas juninas, algumas igrejas decidiram organizar festivais alternativos, aproveitando a oportunidade do feriado para falar sobre o mundo espiritual da perspectiva bíblica.

Fonte: Gospel Prime

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Martinho Lutero vira boneco e brinquedo bate recorde mundial de vendas

martinho-lutero1Um boneco do teólogo Martinho Lutero, um dos fundadores do protestantismo, se tornou o brinquedo vendido mais rapidamente na história.

A fabricante de brinquedos Playmobil criou um boneco alusivo ao teólogo e todo o estoque foi vendido em 72 horas. O departamento comercial da empresa foi pego de surpresa com o sucesso: “É a venda mais rápida que já tivemos”, disse Anna Ermann, porta-voz da companhia em entrevista à agência estatal “Deutsche Welle”.

A Playmobil fez sucesso no Brasil nos anos 1980, com seus bonequinhos de plástico desmontáveis. A versão de Martinho Lutero traz o teólogo vestido com as roupas da época, carregando uma Bíblia em alemão e uma pena que simula uma espada.

As 34 mil unidades do boneco Lutero foram vendidas e um novo lote foi encomendado, de acordo com informações do jornal O Globo.

O Centro de Turismo de Nuremberg divulgou um comunicado dizendo que o brinquedo serve como um “embaixador miniatura da reforma protestante”.

Estima-se que 95% das unidades tenham sido vendidas na própria Alemanha, e o sucesso imediato já despertou interesse de comerciantes espanhóis, italianos e suecos.

A Playmobil recebeu um pedido de fãs da marca que usaram o Facebook para pedir que o boneco de Lutero ganhe uma miniatura do castelo de Wartburg. No entanto, a empresa descartou a hipótese.

O lançamento do boneco é uma homenagem ao 500º aniversário do lançamento das “95 teses sobre o poder e a eficácia da indulgência”, publicação considerada o pílar da Reforma Protestante, e que gerou sua excomunhão da Igreja Católica em 1521.

Para Astid Mühlmann, diretora do departamento do governo alemão responsável pelas celebrações, os alemães valorizam muito o legado de Lutero: “A educação pesou. Existe muito interesse em olhar para trás, para nossa História, pais querendo ter certeza que os filhos cresçam sabendo quem ele era e por que teve tanto impacto na maneira como a sociedade europeia evoluiu”, resumiu.

Martinho Lutero, pastor e professor de Teologia, viveu de 1483 a 1546 e tornou-se o grande mentor da reforma protestante na Alemanha ao desafiar a autoridade do papa Leão X e traduzir a Bíblia Sagrada do latim. Essa iniciativa inspirou outros países, posteriormente e deu origem às igrejas protestantes, e posteriormente, evangélicas pentecostais.

Fonte: Gospel +

Hoje é Dia da Reforma Protestante!

reforma-protestanteEm 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero deu início ao movimento protestante.

Dia 31 de outubro de 1517 foi a data escolhida por Martinho Lutero para divulgar suas 95 teses contra o papa e a Igreja Católica. Era o início da Reforma Protestante, que gerou o movimento evangélico. Já leu as teses? Leia aqui.

Pregadas na porta da Catedral da cidade Wittenberg, Alemanha, os argumentos do ex-monge Lutero não pediam que a Igreja se dividisse, mas que passasse por uma reforma teológica, abandonando práticas que contrariavam as Escrituras Sagradas. Rejeitadas pelo Vaticano, foram o início do que seria mais tarde a Igreja Luterana.

Entre as propostas de Lutero estava a de traduzir a Bíblia para que todos pudessem conhecer a Palavra de Deus. Até então isso era privilégio do clero. Foi uma verdadeira revolução no cristianismo. Lutero baseava-se em “5 pilares” que são usados até hoje para definir a fé protestante: “Somente a Escritura, somente a Fé, somente a Graça, somente Cristo e Glória somente a Deus”.

Os ideais se espalharam pela Europa e encontraram eco em vários movimentos similares. Essa é a raiz das igrejas evangélicas que se espalham por todo o mundo até hoje. Embora pouco divulgada pelas igrejas no Brasil, o fato é que a Reforma ajudou a mudar a história.

Prestes a completar cinco séculos, a Reforma continua inspirando milhares de cristãos no mundo inteiro. Em 2012, foi lançada pelo evangélico Orley José da Silva a campanha “500 anos de Reforma, 100 milhões de evangélicos no Brasil”.

Segundo Orley, o número de evangélicos no Brasil hoje gira em torno de 50 milhões. Sua proposta é que cada crente do país se esforce para “evangelizar uma pessoa não cristã, levá-la a decidir-se por Cristo e a discipular” até 31 de outubro de 2017. Assim, no aniversário de 500 anos da Reforma teremos 100 milhões de evangélicos no Brasil. “É claro que somente isto não basta, precisamos urgentemente de um reavivamento bíblico, que reflita profundamente na espiritualidade, na moral e na ética, primeiro da igreja e depois da sociedade”, esclarece.

Fonte: Gospel Prime

O que causou a Reforma?

O que causou a Reforma

Muitas pessoas tentam responder essa pergunta apontando para Martinho Lutero e suas 95 Teses.

Mas se você perguntasse ao próprio Lutero, ele não iria apontar para si mesmo ou para seus escritos. Ao invés, ele daria todo o crédito a Deus e Sua Palavra.

Perto do fim de sua vida, Lutero declarou: “Tudo o que fiz foi destacar, pregar e escrever sobre a Palavra de Deus, e além disso não fiz nada. […] Foi a Palavra que fez grandes coisas. […] Eu não fiz nada; a Palavra fez e alcançou tudo”.

Em outro lugar, exclamou: “Pela Palavra a terra tem sido dominada; pela Palavra a igreja tem sido salva; e pela Palavra  ela também será reestabelecida”.

Notando o fundamento da Escritura em seu próprio coração, Lutero escreveu: “Não importa o que aconteça, você deve dizer: ‘Há a Palavra de Deus. Isso é minha rocha e âncora. Dela eu dependo e ela permanece. Onde ela permanece, eu, também, permaneço; para onde ela for, eu, também, irei’”.

Lutero entendia o que causou a Reforma. Ele reconhecia que foi a Palavra de Deus, pregada por homens de Deus, pelo poder do Espírito de Deus, em uma linguagem que as pessoas comuns da Europa poderia entender e quando seus ouvidos foram expostos à verdade da Palavra de Deus, ela penetrou seus corações e eles foram mudados radicalmente.

Foi esse mesmo poder que havia transformado o próprio coração de Lutero, um poder que é resumido nas palavras de Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”.

Durante o fim da Idade Média, a Igreja Católica Romana havia aprisionado a Palavra de Deus no Latim, uma língua que as pessoas comuns da Europa não falavam. Os Reformadores libertaram as Escrituras ao traduzi-las. E, uma vez que as pessoas tinham a Palavra de Deus, a Reforma se tornou inevitável.

Vemos esse comprometimento com as Escrituras mesmo nos Séculos anteriores a Martinho Lutero, começando com os Precursores da Reforma:

No Século XII, os Valdenses traduziram o Novo Testamento da Vulgata Latina para seus dialetos franceses regionais. De acordo com a tradição, eles eram tão comprometidos com as Escrituras que as famílias Valdenses memorizavam grandes partes da Bíblia. Dessa forma, se as autoridades Católicas Romanas os encontrassem e confiscassem suas cópias físicas da Escritura, eles seriam capazes de reproduzir toda a Bíblia memorizada depois.

No Século XIV, John Wycliffe e seus companheiros de Oxford traduziram a Bíblia do Latim para o inglês. Os seguidores de Wycliffe, conhecidos como Lolardos, viajaram por todo o interior da Inglaterra pregando e cantando passagens da Escritura em inglês.

No Século XV, Jan Huss pregava na língua do povo, não em Latim, o que fez dele o pregador mais popular de Praga, nessa época. Porém, porque Huss insistia que somente Cristo era o cabeça da igreja, não o Papa, o Concílio Católico de Constance o condenou por heresia e o queimou na fogueira (em 1415).

No Século XVI, conforme o estudo do grego e do hebraico foi recuperado, Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, terminando o Novo Testamento em 1522.

Em 1526, William Tyndale completou a tradução do Novo Testamento em grego para o inglês. Em alguns anos, também traduziu o Pentateuco do hebraico. Pouco tempo depois, foi preso e executado como herege – foi estrangulado e depois queimado na fogueira. De acordo com o Livro dos Mártires, de Fox, as últimas palavras de Tyndale foram “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. E foi apenas alguns anos depois de sua morte que o rei Henrique VIII autorizou a Grande Bíblia na Inglaterra – uma Bíblia amplamente baseada no trabalho de tradução de Tyndale. A Grande Bíblia lançou os fundamentos para a famosa versão King James (completada em 1611).

O fio condutor, de Reformador a Reformador, era o firme compromisso com a autoridade e suficiência da Escritura, a ponto de estarem dispostos a sacrificarem tudo, até suas próprias vidas, para levar a Palavra de Deus às mãos das pessoas.

Eles assim o fizeram porque entendiam que o poder da reforma e avivamento espiritual não estava neles, mas no evangelho (Romanos 1.16-17). E eles usavam o termo Sola Scriptura (“Somente a Escritura”) para enfatizar a verdade de que a Palavra de Deus era o verdadeiro poder e autoridade suprema por trás de tudo que fizeram e disseram.

Foi a ignorância da Escritura que tornou necessária a Reforma. Foi o resgate da Escritura que tornou possível a Reforma. E foi o poder da Escritura que deu à Reforma seu impacto marcante, conforme o Espírito Santo levava a verdade de Sua Palavra aos corações e mentes dos pecadores, individualmente transformando, regenerando e dando a vida eterna.


Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Fonte: Reforma21.org

 

New York Times destaca avivamento calvinista nos EUA

john-piper-253x200“Novos calvinistas” estão alcançando milhares de evangélicos e disseminando os ensinos de João Calvino.

Nos EUA e na Europa há uma distinção entre os protestantes. Por causa de sua longa tradição religiosa, eles normalmente não são mais colocados em um único grupo, rotulado de evangélicos, como no Brasil e outros países da América Latina.

Por lá existem as denominações históricas (mais tradicionais), os liberais, os pentecostais e os evangelicais. Esse terceiro grupo são crentes que mantém uma visão mais literal da Bíblia, defendem a existência de céu e inferno e se dedicam à evangelização.  Embora sejam minoria, trata-se de um dos grupos mais influentes do cenário religioso.

Segundo o jornal The New York Post, o evangelicalismo está passando por um “avivamento calvinista”. Em grande parte, por causa dos ensinamentos divulgados por pastores como Mark Driscoll, John Piper e Tim Keller. Eles pastoreiam megaigrejas, escrevem livros e seus vídeos na internet são visto milhões de vezes, e têm versões legendadas que os ajudam a alcançar um grupo ainda maior de pessoas.

Os três são calvinistas e defendem a teologia conhecida como TULIP, um acrônimo em inglês que resume as chamadas doutrinas compiladas por João Calvino, um dos teólogos mais influentes da história.

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Os ensinamentos de Calvino, o reformador francês do século 16, continuam vivos. Segundo as estatísticas, alcançando principalmente os fiéis na casa dos 20 e 30 anos de idade.

No passado, seguir ou não a doutrina calvinista dividiu igrejas e até mesmo denominações. Durante séculos o ensino predominou nas igrejas americanas e europeias. Contudo, no século 19 o protestantismo parece ter se inclinado em massa para uma doutrina antagônica, o arminianismo, que enfatizava o livre-arbítrio no tocante à salvação e com ênfase nas decisões do homem.

Embora a grande maioria dos evangélicos não seja capaz de categorizar a teologia da igreja onde congregam, essa é uma questão de suma importância para os pastores e líderes.

A maneira como os calvinistas pregam é diferente do que se vê na maioria dos programas evangélicos da TV.  É realmente a contramão dos pregadores da chamada “teologia da prosperidade”, que prometer riquezas a quem tiver fé o suficiente. Eles não tratam a Bíblia como um livro de autoajuda ou um guia para melhorar os negócios. A Palavra é a Lei e deveria ser vista como tal.

Collin Hansen fez um estudo sobre o assunto para escrever seu livro Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey With the New Calvinists [“Jovens, Incansáveis, Reformados: A Jornada de um Jornalista com os Novos Calvinistas”]. Ele explica que o mais comum é ouvir nas igrejas coisas como: ‘Deus quer que você seja um bom pai! Aprenda sete maneiras como Deus pode lhe ajudar a ser um bom pai’”.

Ou ainda: “Deus quer que você tenha um bom casamento! Aprenda três maneiras de fazer isso’”. Por outro lado, diz Hansen, os que frequentam igrejas calvinistas querem que o pregador “fale sobre Jesus”.

Em tempos tão confusos como os que vivemos, os chamados neocalvinistas acabam ajudando a defender posições conservadoras quanto às Escrituras e a questões sociais. A maioria não crê que as mulheres possam ser ordenadas pastoras ou presbíteras. Também são mais duros ao falar sobre tópicos como pecado, céu e inferno e a volta de Cristo.

Esse movimento é passageiro? Brad Vermurlen, um aluno da Universidade Notre Dame, escreveu uma dissertação sobre os “novos calvinistas”. Ele não acredita que deve durar muito. “Dez anos atrás, todo mundo falava da igreja emergente’. Cinco anos atrás, falavam da ‘igreja missional’. Agora é o ‘novo calvinismo’. Não quero dizer que o novo calvinismo seja uma mania passageira, mas me pergunto se é uma daquelas coisas que os evangélicos querem debater por cinco anos, e depois continuar vivendo suas vidas e plantando suas igrejas. Ou é algo que veremos daqui a 10 ou 20 anos?”

É bom levar em conta que a Reforma Protestante (de 1517) está prestes a completar 500 anos e ainda existem igrejas que defendem o que Lutero ensinava. Possivelmente os neocalvinistas continuarão lendo e ensinando as Institutas (de 1536), nos próximos anos, possivelmente usando seus tablets.

Fonte: Gospel Prime com informações Urban Christian.

Encontrados manuscritos inéditos de Martinho Lutero

Manuscritos-de-Martinho-Lutero-266x200Anotações em livros foram encontradas em biblioteca após 5 séculos.

Martinho Lutero é considerado o “pai do protestantismo”. Através de seus discursos e escritos ele se propôs a fazer uma “reforma” na Igreja Católica. Rejeitado pelo papa, suas ideias divulgadas a partir da Alemanha fomentaram o movimento que acabaria mudando para sempre a história da Igreja.

Perto de se comemorar os 500 anos da Reforma, em 2017, o professor de teologia Ulrich Bubenheimer revelou hoje ter encontrado o que se acredita serem os mais antigos manuscritos de Lutero. São breves anotações, escritas nas margens de livros que estavam na biblioteca Duque August de Wolfenbüttel, no norte da Alemanha. Há também uma crônica escrita por ele.

São várias anotações e comentários feitos por Lutero quando ele ainda estudava em Erfurt, no começo do século XVI. O termo mais repetido é a palavra “fides” (latin para fé). Embora não tragam nada de novo para a teologia, acredita-se que têm um grande valor histórico. A letra de Lutero é conhecida de inúmeras publicações, por isso não há dúvida.

Helwig Schmidt-Glintzer, diretor da biblioteca não anunciou o que fará com a descoberta. ”Esta é uma grande sensação”, limitou-se a comentar. O local é bastante rico em manuscritos medievais, e livros escritos na época da Reforma. Todos cuidadosamente conservados. É curioso que as anotações tenham sido descobertas apenas cinco séculos depois. O mais provável é que os livros sejam doados para o museu oficial.

Martinho Lutero nasceu em 1483 e faleceu em 1546. Foi um dos primeiros escritores da língua alemã. Sua obra mais famosa foi a tradução da Bíblia para a língua falada pelo povo e um dos primeiros a se beneficiar da imprensa de tipos móveis inventada por Gutemberg.

Fonte: Gospel Prime com informações El Heraldo e Die Mark.

 

Textos originais escritos por Martinho Lutero são roubados de museu

xmartinho-lutero-293x200_jpeg,qa0e56d_pagespeed_ic_xzfJfktzPZTrês valiosos escritos de Martinho Lutero (1483-1546) foram roubados das vitrines de uma casa onde o impulsionador da Reforma viveu, na cidade de Eisenach, Alemanha. O local foi transformado em um museu e albergue na década de 1950.

A casa de Lutero, que foi assaltada, servia, segundo a igreja da Turíngia, para “mostrar a carreira e a obra do grande reformador da igreja alemã e o torná-lo compreensível”. Seu foco era a tradução da Bíblia por Lutero e sua “influência na educação do povo alemão e de toda a Europa”.

Não há câmeras de segurança no local e por isso não há como identificar quem roubou o material que possue um grande valor histórico. Os livros desaparecidos são os tratados “An dem Christlichen Adel deutscher Nation” (À nobreza cristã da nação alemã), escrito em 1520, “An die Radherrn aller städte” (Aos vereadores de todas as cidades), de 1524 e “Lutherpredigt, das man Kinder zur Schulen halten soll” (O Sermão de Lutero sobre enviar os meninos ao colégio), publicado pela primeira vez em 1530.

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Segundo o relatório da polícia local ainda não há suspeitos, mas os investigadores procuram o último grupo de turistas a visitar o local. O material está avaliado em cerca de 60.000 euros. Embora tenham desaparecido na sexta-feira passada somente agora foi anunciado pela imprensa alemã.

Fonte: Gospel Prime com informações Protestante Digital e Spiegel.

Líder evangélico visita papa e anuncia que “ecumenismo vai avançar”

xEvangelico-e-o-Papa-320x180.jpg,qf5a53e.pagespeed.ic.UgUeOzUer3Presidente da Igreja Evangélica da Alemanha felicitou o novo pontífice

O Papa Francisco recebeu ontem (8) Nikolaus Schneider, o presidente da Igreja Evangélica da Alemanha, sua esposa e uma comitiva em uma audiência privada. É a primeira desse tipo desde que o novo pontífice assumiu.

Segundo o porta-voz da Santa Sé, Frederico Lombardi: “o encontro foi extremamente frutuoso e significativo do objetivo ecumênico que também neste pontificado se leva por diante sem incertezas”.

Schneider cumprimentou o Papa pela sua eleição e afirmou ser “entusiasmante” a escolha do nome Francisco, pois lembra “um santo que fala verdadeiramente a todos os cristãos”. Schneider e o Papa falaram sobre o “valor do ecumenismo dos mártires”, recordando o sofrimento dos fiéis de várias confissões cristãs que morreram durante o regime nazista. “O sangue derramado dos mártires é algo que une profundamente as diferentes confissões cristãs no testemunho comum por Cristo”.

Em 2017, a Igreja Luterana irá comemorar os 500 anos da Reforma Protestante, que gerou a separação dos evangélicos de Roma. Schneider ressaltou que será um momento extremamente importante para a Igreja evangélica. Ambos falaram sobre os avanços no ecumenismo e nas relações entre a Igreja Católica e a tradição da Reforma.

Foi lembrada também a visita de Bento 16 a Erfurt, Alemanha, em 2011, quando o agora papa emérito se reuniu com representantes do Conselho da Igreja Evangélica Alemã no antigo convento dos Agostinhos, onde viveu Martinho Lutero (1483-1546) antes de iniciar a Reforma.

Fonte: Gospel Prime com informações Rádio Vaticana.

 

Câmara lembra os 495 anos da Reforma Luterana

A Câmara de Vereadores de Sorocaba realiza na próxima quarta-feira, dia 31, a partir das 19h, uma sessão solene para lembrar os 495 anos da Reforma Luterana. Proposta pelo vereador Luis Santos (PMN), a sessão tem o objetivo de reconhecer o movimento da Reforma de 1517, que além de outras consequências históricas importantes, fez surgir o protestantismo. O evento terá a participação dos mais variados grupos religiosos evangélicos que se fundamentam em verdades da Reforma Luterana e contará com uma mensagem do pastor Erni Krebs, da Congregação Evangélica Luterana Cristo Rei de Sorocaba. A programação é aberta a todos os interessados.

A Reforma Luterana foi um movimento cristão do início do século XVI por Martinho Lutero, através da publicação de 95 teses contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. As teses, afixadas na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, tinham o objetivo de um debate acadêmico sobre o assunto arrependimento e indulgências. Convicto de estar defendendo claras verdades dos textos sagrados do Antigo e Novo Testamentos, Martinho Lutero foi excomungado da Igreja, e dedicou-se à tradução, para a língua do povo, de todo o texto da Sagrada Escritura. Além de suas pregações, deixou seu legado em muitas obras escritas, que até hoje recebem muita atenção dos estudiosos do assunto.

O luteranismo teve início no Brasil com os imigrantes alemães no começo do século XIX, e por missionários americanos no século XX.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Mês da Reforma Protestante: SBB lança Bíblia Sagrada com reflexões de Martinho Lutero

No mês em que se celebra a Reforma Protestante, especificamente no dia 31 de outubro, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) lança uma edição especial da Bíblia Sagrada, que traz cerca de 900 reflexões de Martinho Lutero.

A Bíblia tem previsão para ser lançada no dia 23 de outubro, em Porto Alegre na Comunidade Evangélica de Porto Alegre (CEPA).

Segundo a organização, os textos foram selecionados por estudiosos especialistas no vasto acervo de escritos deixados pelo teólogo que, há alguns anos, estão sendo traduzidos e disponibilizados também em língua portuguesa.

A obra possui texto bíblico na tradução de Almeida Revista e Atualizada, estando voltada mais para a compreensão histórica e exegética dos textos bíblicos, ou, ainda, para uma orientação pastoral e prática.

Lutero é reconhecida de forma universal como grande contribuidor ao Cristianismo. Sua obra é citada por escritores de praticamente todas as correntes cristãs.

A publicação contém reflexões selecionadas relacionadas direta ou indiretamente ao texto bíblico, a partir de obras de Lutero publicadas em português pela Comissão Interluterana de Literatura (CIL). Entre elas estão: o devocionário Castelo Forte, de 1983; a obra Pelo Evangelho de Cristo, de 1984; e a coleção Martinho Lutero – Obras Selecionadas, volumes 1 ao 11.

A CIL é uma instituição formada por representantes da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).

A Bíblia Sagrada com Reflexões de Lutero oferece recursos que contribuem para pregação do Evangelho e edificação da Igreja cristã.

Fonte:  The Christian Post

Revista Época: A nova reforma Protestante

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de  border=0>recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste (foto ao lado), pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época